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Global Macro — Indústria asiática perde ritmo sob custos de energia e riscos do ciclo de IA

PMIs de outubro desaceleram no Japão e na Coreia, enquanto pesquisas chinesas divergem; OPEP+ mantém cotas de dezembro e juros japoneses a 1,25% tornam o crédito estratégico.
Contexto
A indústria de algumas economias asiáticas continua expandindo, mas perde intensidade; a China diverge por amostras, exportações de IA são concentradas e há riscos de crédito e energia.
Risco principal
Confundir receitas nominais de chips com expansão industrial generalizada ou cotas de produção da OPEP+ com barris entregues esconde riscos simultâneos de lucro, custo e logística.
Indicadores principais
PMIs finais de EUA e Europa de 2 de novembro posteriores ao corte · Novas encomendas e custos nos PMIs de novembro da Coreia e do Japão · Convergência entre PMIs chinês oficial e privado · Cumprimento físico de cotas de dezembro da OPEP+ e reunião de 29/11 · Spreads de crédito, investimento dos clientes de IA e curva de juros datada
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2 de novembro de 2026 · Edição da madrugada em Brasília · Corte informativo: 02h BRT (05h UTC). As leituras industriais asiáticas de segunda-feira disponíveis até esse horário são fatos novos. A última sessão completa dos mercados acionários americanos e europeus ocorreu na sexta-feira, 30 de outubro. Divulgações industriais posteriores desta segunda-feira nos EUA, Reino Unido e área do euro ainda não constituem dados observados no corte. [1][15]

O primeiro pregão de novembro começa com uma divergência que não cabe numa única manchete sobre o boom tecnológico asiático. O PMI industrial da Coreia do Sul caiu de 53,9 para 51,3 entre setembro e outubro; o japonês, de 54,1 para 53,3. Em Taiwan, o índice ficou em 54,9, também em desaceleração, enquanto a pesquisa privada chinesa indicou expansão em 52,0 e o PMI oficial da China registrou contração em 49,3. Os índices medem condições em outubro, divulgadas em datas distintas. A diferença entre dois PMIs não é variação percentual da produção física. [1][2][3][4][5]

Trata-se de um alerta sobre a amplitude do crescimento industrial, não de prova de colapso dos investimentos em inteligência artificial. A Coreia do Sul havia divulgado US$ 56,44 bilhões em exportações de semicondutores em outubro, alta nominal anual de 259,4%. Uma estatística aduaneira mensal e uma sondagem sobre a proporção de fábricas que melhoram ou pioram suas condições podem apontar direções diferentes. A questão econômica é saber se receitas excepcionais de algumas tecnologias financiarão investimentos duradouros enquanto fábricas de outros setores, importadores de energia e consumidores operam sob condições menos favoráveis. [1][3][11]

A energia complica esse teste. Em 1º de novembro, sete produtores da OPEP+ decidiram formalmente preservar para dezembro os níveis de produção exigidos em setembro de 2026. É uma decisão sobre exigências de produção, não evidência de que os barris de dezembro já tenham sido extraídos ou de que rotas marítimas estejam normalizadas. O Banco do Japão, por sua vez, manteve a taxa de política monetária em 1,25% em 30 de outubro, com possibilidade de novos aumentos condicionada à inflação e à atividade. O encontro entre energia importada, câmbio e crédito faz da desaceleração industrial um problema também financeiro. [6][9][10]

1. Os PMIs de outubro: expandir não significa acelerar

O índice de gerentes de compras da indústria é uma medida de difusão: números acima de 50 normalmente indicam melhoria relativamente disseminada nas empresas respondentes; abaixo de 50, deterioração. Passar de 53,9 para 51,3 não significa que a produção tenha caído 2,6%. Significa que a melhoria ficou menos ampla ou menos intensa. Pesquisas oficiais e privadas com amostras diferentes tampouco devem ser somadas ou transformadas numa taxa de produção nacional.

PMI industrial de outubro de 2026 na Ásia (divulgados até 2 de novembro)pontos do índice de difusão; 50 separa expansão e contração
Taiwan PMI privado
54,9
Japão S&P Global
53,3
China privada RatingDog
52
Coreia do Sul S&P Global
51,3
China NBS oficial
49,3
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PMI industrial de outubro de 2026 na Ásia (divulgados até 2 de novembro)
Indicador / períodoValor (pontos do índice de difusão; 50 separa expansão e contração)
Taiwan PMI privado54,9
Japão S&P Global53,3
China privada RatingDog52
Coreia do Sul S&P Global51,3
China NBS oficial49,3

Na Coreia do Sul, a leitura de 51,3 foi a menor em oito meses, embora a pesquisa permanecesse acima de 50 pelo décimo primeiro mês seguido. A Reuters registrou enfraquecimento de produção e encomendas, escassez de alguns insumos e pressão sobre custos, com demanda americana relativamente modesta. O PMI abrange condições industriais gerais e não equivale à participação dos semicondutores numa relação aduaneira de exportações. [3]

O Japão continuou em expansão com 53,3, mas registrou a menor intensidade de melhora em sete meses. A pesquisa da S&P Global noticiada pela Reuters indicou produção e novas encomendas avançando mais lentamente, acompanhadas de maior pressão dos custos de entrada. Também houve aumento do emprego e dos estoques comprados. A formação de estoques pode ser proteção diante de fretes e energia mais caros ou acúmulo indesejado quando as vendas enfraquecem; só as entregas e relações entre estoques e vendas posteriores permitem distinguir as situações. [4]

PMI industrial: setembro e outubro de 2026 em amostras equivalentespontos de PMI, mesmos índices em dois meses
Coreia do Sul setembro
53,9
Coreia do Sul outubro
51,3
Japão setembro
54,1
Japão outubro
53,3
China privada setembro
52,1
China privada outubro
52
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PMI industrial: setembro e outubro de 2026 em amostras equivalentes
Indicador / períodoValor (pontos de PMI, mesmos índices em dois meses)
Coreia do Sul setembro53,9
Coreia do Sul outubro51,3
Japão setembro54,1
Japão outubro53,3
China privada setembro52,1
China privada outubro52

Os números não caracterizam recessão asiática sincronizada: Japão, Coreia do Sul, Taiwan e firmas chinesas da amostra privada permanecem do lado expansionista. Entretanto, a desaceleração nas economias ligadas aos semicondutores sugere olhar com atenção para a composição do crescimento. O teste seguinte é verificar se novas encomendas, produção, estoques e emprego voltam a convergir ou se passam a apresentar divergências ainda maiores em novembro.

2. Por que os dois indicadores industriais da China divergem

O PMI oficial chinês de 49,3 e o indicador privado RatingDog/S&P de 52,0 não são observações intercambiáveis. A composição das amostras e a exposição das empresas a diferentes setores e mercados são distintas. O levantamento privado pode captar mais intensamente fabricantes privados, menores e exportadores, enquanto a pesquisa oficial representa outra cobertura empresarial. Ambas registram avaliações mensais dos respondentes, não um censo físico diretamente comparável de tudo o que se produz. [2][5]

Na pesquisa privada, novas encomendas recuaram de 53,4 para 53,3, ainda em expansão; o crescimento das encomendas externas foi o menor em três meses. O componente de produção privada, por outro lado, atingiu a expansão mais rápida em seis meses, enquanto a confiança empresarial diminuiu. No índice oficial, a fraqueza da demanda foi mais visível. Os resultados podem ser verdadeiros simultaneamente se produtores de bens de capital e exportadores bem posicionados avançarem enquanto segmentos domésticos maiores encontram menos compradores. [2]

Estrutura de relações
PMI industrial oficial da China abaixo de 50 + PMI privado exportador acima de 50
→ Encomendas domésticas, porte de empresas, setores e geografias dos clientes divergem
→ Intermediários tecnológicos e bens de capital podem superar bens de consumo
→ Exportações nominais de chips da Coreia sobem enquanto o PMI industrial coreano desacelera
→ Margens, emprego e crédito não podem ser deduzidos de uma única manchete de exportações ou PMI

Essa diferença importa para importadores chineses, fornecedores da ASEAN e exportadores de commodities. Um programa governamental de estímulo ao investimento não garante, por si só, maior consumo das famílias. Da mesma forma, concorrência intensa por preço nas exportações pode sustentar volumes vendidos e reduzir margens. Fábricas com produção crescente e preços de venda em queda enfrentam condições econômicas diferentes de fábricas com preços mais altos e quantidades estáveis.

Há três categorias de prova: difusão da atividade em redes domésticas maiores, difusão de fabricantes relativamente mais voltados ao exterior e valores nominais das vendas bilaterais por mercadoria. Escolher apenas uma dessas séries exageraria a narrativa de recessão ou de boom.

3. A infraestrutura de IA: concentração de receitas e qualidade do crescimento

As estatísticas coreanas divulgadas em 1º de novembro mostram expansão extraordinária em valor de semicondutores, computadores e equipamentos elétricos relacionados à infraestrutura de inteligência artificial. Os semicondutores responderam por US$ 56,44 bilhões das exportações totais de mercadorias de US$ 115,28 bilhões em outubro, aproximadamente 49,0%. Apesar disso, exportações de itens não semicondutores cresceram 34% em termos nominais anuais. Os números não representam valor agregado doméstico real, quantidades de chips nem rentabilidade dos compradores de IA. [11]

O PMI coreano publicado nesta segunda-feira é particularmente relevante nesse contexto. Um boom concentrado de chips pode aumentar a receita externa nacional enquanto uma amostra mais ampla de fábricas relata perda de ritmo nas encomendas. Entre os canais possíveis estão elevação de preços de componentes de memória, procura por processadores, mudança na composição para produtos de maior valor e clientes que antecipam compras de estoque. Sem preços unitários e quantidades correspondentes, seria incorreto atribuir toda a alta de 259,4% à expansão da capacidade física.

A retroalimentação financeira começa nas despesas de capital. Centros de dados e plataformas de nuvem contratam chips, redes, sistemas elétricos, resfriamento e imóveis antes que todos os fluxos de receita esperados estejam realizados. Receitas fortes dos fornecedores podem conviver com retornos incertos dos compradores finais. Uma revisão para baixo das receitas esperadas de IA pode reduzir novas encomendas e afetar avaliações de mercado de fornecedores mesmo quando os produtos anteriormente embarcados foram efetivamente pagos.

Seria igualmente precipitado anunciar uma crise já consumada. Os produtos coreanos fora dos chips continuam com crescimento nominal, a indústria japonesa permanece em expansão e a produção da amostra privada chinesa segue crescendo. A durabilidade da demanda por IA será mais convincente se volumes aumentarem com preços sustentáveis, encomendas de equipamentos se ampliarem, conexões elétricas efetivas progredirem e receitas dos compradores finais financiarem os investimentos. O valor de mercado isoladamente não comprova nenhuma dessas condições.

4. Energia e OPEP+: produção exigida não é petróleo disponível

Sete integrantes da OPEP+ — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã — anunciaram em 1º de novembro que os níveis de produção exigidos para dezembro seriam iguais aos de setembro de 2026. A próxima revisão foi marcada para 29 de novembro. A decisão mantém exigências constantes, mas não comprova cumprimento das cotas nem garante que todo o petróleo chegue aos importadores num ambiente de risco de segurança. [9][10]

É essencial separar exigência de produção, produção efetiva, carregamento de navios, chegada ao porto de destino e processamento pela refinaria. Se danos à infraestrutura ou riscos marítimos restringem as entregas, manter cotas constantes pode produzir pouco alívio no curto prazo. Da mesma forma, rotas e seguros podem melhorar sem alteração formal dos limites.

O relatório de outubro da Agência Internacional de Energia empregou observações e estimativas de setembro para descrever restrições no mercado físico. Essas cifras não constituem medições do fluxo de novembro. As projeções anuais de commodities publicadas pelo Banco Mundial no fim de outubro também são cenários futuros, não uma cotação em tempo real do Brent na segunda-feira. [16][18]

A divulgação comercial coreana oferece um mecanismo concreto: o preço unitário de importação de petróleo bruto subiu 62,0% em termos anuais, ao mesmo tempo em que o volume físico recuou 6,3% e o valor importado cresceu 51,9%. Um país pode pagar muito mais por menos barris. Câmbio, avaliação de estoques de refinarias e subsídios determinam quanto do custo alcança fábricas e famílias. [11]

Combustível persistentemente caro pode reduzir produção mesmo diante de encomendas saudáveis, porque eleva custos variáveis. Governos também recebem pressão para proteger transporte e alimentação. Os efeitos são assimétricos: exportadores líquidos de energia podem ganhar receitas enquanto economias asiáticas importadoras perdem poder de compra. Não há base para afirmar que todos os países terão a mesma inflação.

5. Bancos centrais, curva de juros e ajustes de preços dos ativos

O Banco do Japão manteve sua taxa de 1,25% na reunião de 30 de outubro. O comunicado e as projeções de outubro indicam que a normalização adicional continua possível, condicionada à inflação e à atividade. O nível de juros decidido é um fato verificável; a data exata do próximo aumento continua sendo hipótese. [6][7]

O Federal Reserve havia preservado a faixa de 3,75%–4,00% em 28 de outubro, enquanto o Banco Central Europeu manteve a taxa da facilidade de depósito em 2,50% no dia 29. Esses instrumentos monetários têm definições operacionais diferentes e não representam diretamente o custo de empréstimos de empresas industriais. Condições financeiras também dependem de spreads de crédito, qualidade das garantias, proteção cambial e prazo dos títulos. [14][20]

A normalização de juros no Japão importa além de Tóquio porque o financiamento em ienes, o custo de proteção e as carteiras internacionais de títulos interagem com ativos americanos e europeus. Entretanto, atribuir exclusivamente ao Banco do Japão uma queda específica de bolsas nesta segunda exigiria evidência sobre ordens intradiárias e posições de investidores.

Na última sessão americana concluída, sexta-feira, 30 de outubro, o Nasdaq Composite caiu 2,86%, o S&P 500 recuou 1,82% e o Dow Jones Industrial Average perdeu 1,09%, segundo dados de mercado reportados em 2 de novembro. São variações de um pregão encerrado, não fechamentos americanos de 2 de novembro. A queda maior no setor tecnológico é compatível com maior sensibilidade do mercado às expectativas de lucro futuro da IA, mas não demonstra que todos os investimentos em IA sejam deficitários. [15]

Variação dos índices acionários dos EUA na sessão de 30 de outubro de 2026variação em um pregão, %; não é fechamento de 2 de novembro
Nasdaq Composite
-2,86
S&P 500
-1,82
Dow Jones Industrial Average
-1,09
Ver dados
Variação dos índices acionários dos EUA na sessão de 30 de outubro de 2026
Indicador / períodoValor (variação em um pregão, %; não é fechamento de 2 de novembro)
Nasdaq Composite-2,86
S&P 500-1,82
Dow Jones Industrial Average-1,09

Uma contração efetiva do financiamento apareceria em spreads de títulos corporativos, custos de rolagem de dívida, cancelamentos de capacidade e planos realizados de investimento, não apenas na oscilação das ações. Rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA devem ser acompanhados por data; os números de 30 de outubro são a referência da última sessão completa, em vez de um suposto fechamento de domingo. [17]

6. Crescimento global, Europa e a distribuição dos choques

O Regional Economic Outlook de outubro de 2026 do FMI projeta crescimento real da Ásia-Pacífico de 5,0% em 2025, 4,8% em 2026 e 4,4% em 2027. As taxas de 2026 e 2027 são projeções anteriores aos resultados completos de novembro, não produção já realizada. O FMI identifica três forças simultâneas: choque energético, boom de tecnologia e reorganização do comércio. Os benefícios tecnológicos são concentrados; custos da energia importada podem se espalhar. [8][19]

Projeções do FMI de outubro de 2026 para o PIB real da Ásia-Pacíficocrescimento real anual do PIB, %; 2026 e 2027 projetados
2025 observado
5
2026 projetado
4,8
2027 projetado
4,4
Ver dados
Projeções do FMI de outubro de 2026 para o PIB real da Ásia-Pacífico
Indicador / períodoValor (crescimento real anual do PIB, %; 2026 e 2027 projetados)
2025 observado5
2026 projetado4,8
2027 projetado4,4

Na Europa, a estimativa preliminar do PIB da área do euro apontou avanço de 0,4% no terceiro trimestre ante o segundo, depois de 0,6% no trimestre anterior. Nos Estados Unidos, o PIB preliminar do terceiro trimestre aumentou 3,4% em taxa trimestral anualizada; são convenções diferentes que não devem ser comparadas como se tivessem a mesma base temporal. A expansão mais lenta da Europa e o crescimento positivo americano contrariam uma recessão mundial uniforme, sem anular os problemas distributivos das famílias e as diferenças setoriais. [12][13]

A transmissão externa ocorre por múltiplas rotas. Fábricas asiáticas vendem bens de capital e componentes intermediários aos EUA e à Europa. Petróleo e frete mais caros afetam mercadorias de varejo e insumos agrícolas. Movimentos cambiais redistribuem renda entre importadores e exportadores. Custos da dívida pública limitam políticas fiscais de compensação. Os mecanismos podem ocorrer ao mesmo tempo sem produzir um único resultado global dominante.

Exposição geográfica aos canais da desaceleração industrial asiática
China
PMI oficial abaixo de 50 e expansão privada; amplitude das encomendas e competição por preços
Japão
Indústria em expansão, juros em 1,25%, custos dos insumos e financiamento em ienes
Coreia do Sul e Taiwan
Receitas de tecnologia elevadas e PMI perdendo ritmo; concentração em investimento de hardware
Oriente Médio e Rússia
Decisão de cotas de dezembro; riscos de entrega física, rotas e cumprimento
Estados Unidos
Compradores de equipamentos de IA, reprecificação tecnológico de sexta, Fed e crédito corporativo
União Europeia
Crescimento trimestral menor, importação de insumos, repasse energético e investimento
Importadores emergentes de commodities
Combustíveis, alimentos, câmbio e restrições fiscais

Em economias emergentes importadoras de petróleo, o combustível mais caro pode reduzir consumo das famílias e elevar pressão por subsídios antes de aparecer integralmente nos indicadores oficiais de inflação. Exportadores de energia e alimentos podem melhorar receitas nominais e simultaneamente enfrentar disputas distributivas internas. Contas nacionais, salários e fluxos de crédito são necessários para determinar qual canal prevalece.

7. Riscos de conflito, segurança das cadeias e decisões institucionais

A continuidade dos conflitos no Oriente Médio afeta seguros, comércio energético e prêmios de risco. A decisão da OPEP+ inclui a Rússia, mas não equivale a concessão diplomática russa, acordo de paz ou fim dos obstáculos marítimos. PMIs chineses e valores importados na Ásia não provam, por si só, autoria de ataques cibernéticos, bloqueios intencionais ou escalada militar iminente. Fluxos físicos verificados e eventos atribuídos de forma independente continuam essenciais. [9][10][16]

As eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para 3 de novembro, introduzem incerteza política de curto prazo. Expectativas sobre política fiscal, controles comerciais e regras tecnológicas podem mudar preços de ativos; nenhuma direção específica de política pós-eleitoral pode ser tratada como estabelecida antes da votação. Da mesma forma, a hipótese de novas elevações pelo Banco do Japão não equivale a uma alta de juros já executada em 2 de novembro.

Resiliência de cadeia de suprimentos não significa apenas ter um fornecedor doméstico. Depende da possibilidade de substituição entre fornecedores, estoques verificáveis, disponibilidade de redes elétricas, rotas redundantes e capacidade de financiamento. Exportações concentradas em chips criam ganhos de produtividade, mas aumentam a exposição de distribuidores e operadores de infraestrutura a poucos produtos e clientes de alta intensidade de capital.

8. Cenários e testes observáveis nas próximas divulgações

Cenário central — expansão desigual. Indústrias coreana e japonesa continuam acima de 50, produtores privados chineses crescem enquanto o levantamento oficial permanece mais fraco, e as receitas ligadas à IA seguem relevantes num ambiente de custos energéticos elevados. Confiança moderada. A evidência mais forte está nos PMIs e nos valores aduaneiros de outubro; a principal lacuna é a falta de quantidades e retornos financeiros verificáveis dos compradores. [1][2][3][4][11]

Cenário adverso — novas encomendas entram em contração. PMIs subsequentes caem abaixo de 50, receitas coreanas de semicondutores desaceleram em quantidade e valor, a logística do petróleo segue restrita apesar das cotas constantes e spreads corporativos aumentam. Em conjunto, esses sinais revelariam ligação entre concentração tecnológica, choque energético e financiamento, além de uma mera divergência estatística temporária.

Cenário de resistência — demanda mais disseminada e logística menos onerosa. Volumes de produtos não tecnológicos melhoram, pesquisas chinesas privadas e oficiais convergem acima de 50, encomendas e produção japonesas retomam vigor, entregas reais de petróleo se normalizam e compradores de equipamentos de IA sustentam receitas para financiar investimento. Há evidências incompatíveis com um colapso imediato: PMIs positivos em várias economias e crescimento de exportações não semicondutoras. [2][3][4][11]

Dados da pesquisa
Dados da pesquisa
Indicador para acompanharDado confirmadoPróximo teste
PMI industrial coreano51,3 em outubro, ante 53,9Encomendas, produção e emprego de novembro
PMI industrial japonês53,3 em outubro, ante 54,1Custos, produção e estoques
PMI oficial e privado chinês49,3 e 52,0 em outubroConvergência de encomendas e amplitude setorial
Exportações de chips coreanosUS$ 56,44 bi, +259,4% em valorPreços unitários versus quantidade embarcada
Exigências da OPEP+ para dezembroPreservados os níveis de setembroEmbarques efetivos, cumprimento e reunião de 29/11
Juros do Japão1,25%, decisão de 30/10Comunicados oficiais e financiamento em ienes
Bolsas americanasQuedas em 30/10; ainda sem fechamento em 2/11Próximos pregões, spreads e investimentos
Crescimento real da ÁsiaFMI projeta 4,8% em 2026 e 4,4% em 2027Contas trimestrais e futuras projeções do Fundo

A evidência disponível não fundamenta previsão determinística de colapso mundial da IA, recessão uniforme na Ásia ou normalização imediata do petróleo. Fundamenta acompanhar amplitude das encomendas, custo energético importado e a relação entre receitas tecnológicas e caixa efetivo. Divulgações industriais e fechamentos dos EUA e da Europa posteriores ao corte, assim como novas medidas de governo, pertencem a outro conjunto de observações.

Referências documentais

  1. Reuters, Asia's factory activity feels fading glimmer of AI boom, 2 Nov 2026: https://www.reuters.com/world/asia-pacific/global-economy-asias-factory-activity-feels-fading-glimmer-ai-boom-2026-11-02/
  2. Reuters, China factory growth slows in October as export orders ease, 2 Nov 2026: https://www.reuters.com/world/asia-pacific/china-factory-growth-slows-october-export-orders-ease-private-pmi-shows-2026-11-02/
  3. Reuters, South Korea factory growth slows to an eight-month low, 2 Nov 2026: https://www.reuters.com/world/asia-pacific/south-korea-factory-activity-growth-slows-8-month-low-pmi-shows-2026-11-02/
  4. Reuters, Japan October factory growth slows as costs rise, 2 Nov 2026: https://www.reuters.com/world/asia-pacific/japans-october-factory-growth-slows-costs-pick-up-pmi-shows-2026-11-02/
  5. National Bureau of Statistics of China, October purchasing manager indexes, 31 Oct 2026: https://www.stats.gov.cn/sj/zxfbhjd/202610/t20261031_1965718.html
  6. Bank of Japan, Statements on Monetary Policy 2026, 30 Oct meeting: https://www.boj.or.jp/en/mopo/mpmdeci/state_2026/
  7. Bank of Japan, Outlook for Economic Activity and Prices, October 2026: https://www.boj.or.jp/en/mopo/outlook
  8. IMF, Regional Economic Outlook for Asia and Pacific, 15 Oct 2026: https://www.imf.org/en/publications/reo/apac/issues/2026/10/15/regional-economic-outlook-for-asia-and-pacific-october-2026
  9. OPEC, seven-country decision for December requirements, 1 Nov 2026: https://www.opec.org/pr-detail/620-1-november-2026.html
  10. Reuters, OPEC+ December requirements amid energy disruptions, 1 Nov 2026: https://wtvbam.com/2026/11/01/opec-set-to-keep-oil-output-targets-steady-sources-say/
  11. Republic of Korea MOTIR, October 2026 merchandise trade, 1 Nov 2026: https://www.motir.go.kr/kor/article/ATCL3f49a5a8c/172360/view
  12. Eurostat, preliminary euro area GDP Q3 2026, 30 Oct 2026: https://ec.europa.eu/eurostat/web/products-euro-indicators/w/2-30102026-ap
  13. US Bureau of Economic Analysis, advance Q3 GDP, 29 Oct 2026: https://www.bea.gov/news/2026/gdp-advance-estimate-3rd-quarter-2026
  14. Federal Reserve, FOMC Statement, 28 Oct 2026: https://www.federalreserve.gov/newsevents/pressreleases/monetary20261028a.htm
  15. NDTV Profit, Asian markets and 30 Oct US benchmark declines, 2 Nov 2026: https://www.ndtvprofit.com/markets/asian-markets-today-november-2-nikkei-asx-200-kospi-slip-wall-street-nasdaq-dow-losses-brent-crude-oil-prices-today-near-111-sensex-nifty-12269003
  16. IEA, Oil Market Report October 2026, published 14 Oct 2026: https://www.iea.org/reports/oil-market-report-october-2026
  17. US Treasury, Daily Treasury Par juro de mercado Curve, 30 Oct 2026: https://home.treasury.gov/resource-center/data-chart-center/interest-rates/TextView?field_tdr_date_value=2026&type=daily_treasury_yield_curve
  18. World Bank, October Commodity Markets Outlook, 28 Oct 2026: https://www.worldbank.org/en/news/press-release/2026/10/28/commodity-markets-outlook-october-2026
  19. IMF, Asia Pacific growth projections table, October 2026: https://www.elibrary.imf.org/abstract/book/9798229030120/CH001.xml
  20. European Central Bank, monetary policy decisions 29 October 2026, deposit rate 2.50%: https://www.ecb.europa.eu/press/pr/date/2026/html/ecb.mp261029~9a493adf17.en.html
Autoria

Christian Rafael de Souza Silva

Autor · Pesquisador · Marginal Thinking · LOGV Research

christian@marginalthinking.org
Como citar

Silva, Christian Rafael de Souza. “Global Macro — Indústria asiática perde ritmo sob custos de energia e riscos do ciclo de IA.” Marginal Thinking / LOGV Research, 2026-11-02.

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