Série: Energia, Materiais & Sistemas Industriais Domínio: Materiais Estratégicos & Avançados Programa: Tecnologia, Produção & Sociedade Código: MT-EMIS-2026-09-16-critical-minerals Edição: 16 de setembro de 2026 Corte de informação: 2026-09-16, 12:30 BRT Confiança geral: alta sobre concentração atual, pipeline de projetos e controles comerciais; média sobre a velocidade e a viabilidade econômica da diversificação.
Avaliação central. O problema estratégico dos minerais críticos não está apenas em onde o minério se encontra, mas em onde ele pode ser refinado, processado e convertido em insumos industriais a custo competitivo. Novas minas podem reduzir escassez geológica sem eliminar dependência se refino, fundição, precursores, ímãs, ânodos, cátodos ou equipamentos especializados continuarem concentrados. A próxima fase de diversificação depende, portanto, de capacidade industrial a jusante, energia, conhecimento, financiamento e demanda tanto quanto de recursos naturais.
1. Avaliação executiva
Minerais críticos são frequentemente analisados como um mapa de reservas. Isso é necessário, mas insuficiente.
A IEA informa que a concentração no refino aumentou para a maior parte dos minerais energéticos relevantes em 2025. Excluindo terras raras, a participação média do principal país refinador passou de 70% em 2023 para 72% em 2025. A Indonésia domina o refino de níquel e a China a maior parte dos demais minerais energéticos. Nos dois anos anteriores, esses principais países responderam por mais de três quartos do crescimento da oferta refinada. IEA, Global Critical Minerals Outlook 2026
Ao mesmo tempo, o equilíbrio de longo prazo continua apertado em mercados importantes. O déficit projetado de cobre para 2035 caiu de cerca de 30% para 25%, mas não desapareceu. A perspectiva do lítio melhorou, enquanto o risco no cobalto aumentou após mudanças de política na República Democrática do Congo.
A distinção central é entre disponibilidade do recurso e disponibilidade industrial.
Um mineral pode existir no subsolo, uma mina pode receber licenças e um concentrado pode ser produzido enquanto a etapa economicamente decisiva de conversão permanece em outro lugar.
2. A cadeia do material
A Marginal Thinking analisará materiais pela cadeia industrial completa:
Cada estágio possui requisitos próprios de capital, energia, tecnologia, meio ambiente, logística e política.
Em materiais para baterias, a cadeia pode continuar por cátodos e ânodos, células e packs. Em terras raras, extração e separação são diferentes da produção de metal e de ímãs. No cobre, oferta mineral é diferente de tratamento de concentrado, fundição, refino e fabricação de fios e cabos.
O erro analítico é tratar propriedade das reservas geológicas como equivalente a controle do material utilizável.
3. O cobre mostra a mudança da geologia para o processamento
O cobre é essencial para redes elétricas, motores, transformadores, edificações, eletrônica e diversas formas de eletrificação.
A IEA ainda projeta um déficit de oferta de 25% em 2035 em relação à demanda esperada com base no pipeline atual. Novos projetos na RDC e na Zâmbia reduziram a lacuna estimada, mostrando que investimento em mineração importa.
Mas outra restrição aparece a jusante.
Segundo a IEA, a China respondeu por mais de 90% do crescimento da capacidade global de fundição de cobre desde 2005, elevando sua participação na capacidade mundial de aproximadamente 15% para cerca de 50% em 2025. As taxas de tratamento de referência chegaram a USD 0 por tonelada em 2026, enquanto taxas spot estavam negativas desde 2024, refletindo pressão gerada pela expansão rápida da fundição em relação à disponibilidade de concentrado. IEA, Global Critical Minerals Outlook 2026
Esse é um exemplo útil de sistema em que a restrição se desloca.
Se a mineração cresce mais rápido que o refino, processamento pode ficar escasso. Se fundição cresce mais rápido que concentrado, fundições disputam matéria-prima. Se metal refinado existe, mas cabos, transformadores ou componentes avançam lentamente, a restrição muda novamente.
O ativo estratégico é a cadeia coordenada, não uma única etapa.
4. Mercados pequenos podem sustentar valor industrial muito maior
A IEA identifica minerais estratégicos de menor mercado — como gálio, germânio, tungstênio e telúrio — entre os mais vulneráveis, porque seus mercados são pequenos, a produção é concentrada e as aplicações a jusante podem ter alto valor econômico.
Isso cria risco assimétrico.
Um volume relativamente pequeno de material pode limitar produção de alto valor em semicondutores, aeroespacial, defesa, equipamentos energéticos ou manufatura avançada. O valor econômico em risco pode ser muito superior ao valor do mercado do próprio mineral.
A IEA estima que a implementação integral de determinados controles de exportação de terras raras poderia colocar trilhões de dólares de produção anual a jusante fora da China em risco. Também estima que uma interrupção completa do comércio de grafite grau bateria poderia expor mais de USD 300 bilhões de produção a jusante fora da China. São estimativas condicionais de cenário, não previsões de que a interrupção ocorrerá.
A lição é que tamanho do mercado não é um bom indicador de importância estratégica.
5. Diversificação exige capital e avança de forma desigual
Governos e instituições de desenvolvimento ampliam apoio financeiro. A IEA estima que compromissos de financiamento público para projetos de minerais críticos em economias avançadas chegaram a aproximadamente USD 65 bilhões em 2025, mais de quatro vezes o nível de 2023.
Mas a diversificação anunciada continua desigual ao longo da cadeia.
Projetos de mineração fora dos fornecedores dominantes podem avançar enquanto refino, precursores, produção de ímãs ou outras capacidades a jusante ficam para trás. Uma mina diversificada alimentando uma rede de processamento concentrada não diversifica completamente o sistema industrial.
Diferenças de custo também são materiais. A IEA estima que o custo de capital de plantas de refino fora do fornecedor dominante pode ser 20% a mais de 150% superior, dependendo do mineral e da jurisdição, enquanto custos operacionais podem ser cerca de 50% maiores em alguns casos.
Diversificar exige, portanto, um mecanismo econômico e não apenas um objetivo estratégico. Contratos de longo prazo, demanda âncora, pisos de preço, incentivos tributários, compras públicas, financiamento concessional ou estoques estratégicos podem alterar a economia do projeto, mas cada instrumento transfere custo ou risco para outro agente.
6. Energia e materiais dependem um do outro
Materiais são insumos para a expansão elétrica, mas energia também é insumo dos materiais.
Mineração, fundição, refino e fabricação de materiais avançados podem consumir muita eletricidade e calor. Um país com jazidas, mas energia cara ou pouco confiável, pode ter dificuldade para avançar na cadeia. Em sentido oposto, eletricidade confiável e de baixo custo pode criar vantagem comparativa no processamento.
A relação é circular:
É por isso que a série não tratará minerais críticos apenas como commodities.
Disponibilidade de cobre afeta redes. Disponibilidade de rede afeta processamento de cobre. Política industrial afeta onde o refino é construído. Controles comerciais alteram fornecedores da indústria. Custo de capital determina se novas cadeias se tornam viáveis.
7. Novos materiais exigem um teste mais rigoroso
O mesmo framework será aplicado a novos materiais e sistemas materiais.
Um resultado de laboratório entra na Marginal Thinking somente quando a análise consegue ir além da propriedade anunciada e responder questões como:
- pode ser fabricado repetidamente?
- quais matérias-primas e níveis de pureza são necessários?
- qual é o rendimento de produção?
- qual é o custo em escala relevante?
- a produção depende de equipamentos ou propriedade intelectual especializados?
- materiais incumbentes podem substituí-lo?
- a mudança de densidade energética, desempenho térmico, condutividade, durabilidade ou outra propriedade é suficiente para alterar a economia do sistema?
A série distinguirá capacidade científica, demonstração de engenharia, implantação comercial e escala industrial.
8. O que mudaria a avaliação
A leitura de que as restrições estratégicas estão se deslocando para jusante enfraqueceria se:
- concentração de refino caísse materialmente em vários minerais;
- novas plantas a jusante fora dos fornecedores dominantes atingissem utilização e custo competitivos;
- tecnologias de processamento se tornassem suficientemente padronizadas e transferíveis;
- substituição reduzisse materialmente a demanda pelos insumos mais concentrados;
- reciclagem se tornasse fonte grande e confiável de matéria-prima industrial;
- estoques e contratos diversificados reduzissem materialmente a exposição a interrupções.
Ela seria reforçada se a diversificação da mineração avançasse enquanto a concentração do processamento aumentasse, se controles de exportação fossem ampliados para equipamentos e tecnologias de processamento, ou se plantas a jusante fora dos fornecedores dominantes falhassem persistentemente em atingir escala competitiva.
9. Estrutura de acompanhamento
| Camada | Indicadores |
|---|---|
| Recurso | reservas, teor, pipeline de minas, licenciamento |
| Processamento | capacidade de fundição/refino, utilização, taxas de tratamento |
| Materiais avançados | precursores, ímãs, ânodos, cátodos, insumos de alta pureza |
| Demanda industrial | redes, baterias, eletrônica, aeroespacial, defesa |
| Concentração | participação do principal país por etapa |
| Comércio | controles de exportação, tarifas, acordos bilaterais |
| Capital | decisões de investimento, financiamento público, custo de capital, contratos |
| Resiliência | reciclagem, substituição, estoques, fornecedores alternativos |
Fontes
- International Energy Agency — Global Critical Minerals Outlook 2026
- International Energy Agency — Global Critical Minerals Outlook 2026: Executive Summary
Nota metodológica. Reservas, produção mineral, produção refinada e capacidade de manufatura a jusante não são medidas intercambiáveis. A concentração é analisada por etapa industrial sempre que os dados permitem, e cenários de interrupção são tratados como estimativas condicionais, não previsões.